Grupo FormAÇÃO Conexões de Saberes (Minas Gerais)
Combatendo o racismo institucional na universidade: ações afirmativas e fortalecimento de trajetórias políticas e acadêmicas de estudantes negros de origem popular
29-06-2012O grupo busca o fortalecimento do protagonismo de estudantes negros(as) de origem popular em atividades de formação acadêmica e política. A partir de atividades de formação, o projeto prevê a elaboração de diagnósticos, mapeamentos, proposições e avaliação de políticas de ações afirmativas de acesso e permanência de negros(as) nas universidades federais.
Faz parte dos objetivos do projeto a inserção crítica e qualificada dos(as) estudantes da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais em atividades de ensino/pesquisa/ extensão junto à própria universidade, a comunidades populares e a outros grupos sociais excluídos, ampliando as relações entre a universidade e movimentos sociais, através da troca de saberes e fazeres entre esses dois territórios socioculturais.
Será incentivada ainda a participação dos(as) alunos(as) em eventos acadêmicos; a publicação de artigos que colaborem para o combate ao racismo institucional e para implementação de ações afirmativas; e a presença deles(as) outros espaços sociais, com especial atenção ao Fórum de Estudantes de Origem Popular e Movimento Negro.
Contexto
O grupo entende que o racismo institucional perpassa todas as estruturas do Estado brasileiro e é reconhecidamente um dos principais entreves para a construção da democracia, para a efetivação da Justiça e para o exercício pleno dos direitos humanos no País. Esse é um dos principais fatores que impedem e/ou dificultam a implementação das Ações Afirmativas de um modo geral, e das políticas de acesso e permanência de estudantes negros(as) e de origem popular nas universidades públicas.
O racismo institucional estabelece e mantém barreiras supostamente invisíveis, porém extremamente violentas para vida da população negra brasileira. Tais barreiras se efetivam através de normas, práticas, discursos e procedimentos institucionais que a partir de uma suposta neutralidade garantem os interesses de sujeitos e grupos racialmente dominantes.
O proponente acrescenta que, quando o Movimento Negro reivindica ações afirmativas, entre elas cotas raciais, atualiza-se o questionamento ao mito da democracia racial e entra pauta nacional o debate sobre o direito à diferença e a importância do trato democrático dessa. As reações racistas em instâncias acadêmicas, políticas e midiáticas visibilizadas a partir desse debate, evidenciam uma zona de tensão que sempre existiu no imaginário e nas práticas sociais, mas tem sido sistemática e intencionalmente encoberta por práticas de racismo institucional que precisam e podem ser combatidas.
Sobre o grupo
O grupo se propõe a combater a violência institucional e a discriminação racial, e a lutar pela implementação de ações afirmativas no contexto universitário. Para isso, trabalha com o fortalecimento das trajetórias acadêmicas e políticas de estudantes de origem popular negros(as), graduandos em instituições públicas de ensino superior, ampliando as relações destes com movimento sociais através da produção e troca de saberes.
Desde o início de 2010, são realizadas atividades de formação voltadas a estudantes negros(as) da UFMG, oriundos de comunidades populares de Belo Horizonte e região Metropolitana, nos seguintes temas: ciência e sociedade; democracia, ações afirmativas; exclusão social e cidadania; universidade e transformação social; gênero e raça.
O FormAÇÃO Conexões de Saberes está em diálogo com outras organizações, como Ações Afirmativas, Núcleo de Psicologia Política, Núcleo de Direitos e Cidadania LGBT, Organização de Mulheres Negras ATIVAS, Movimento Hip Hop, Cpir-BH, além de lideranças comunitárias de vilas e favelas de Belo Horizonte e região metropolitana.

