Projetos

Centro de Estudos e Resgate da Cultura Cigana – Cerci

Mulher Cigana: Entre o sonho e a realidade

29-06-2009

A missão da associação Cerci é promover, sem discriminação de qualquer natureza, os direitos humanos, o acesso à educação e à saúde de pessoas de etnia cigana, assim como zelar pelos seus interesses coletivos, morais, culturais e materiais, e promover a geração de conhecimento da Tradição e Cultura Cigana no Brasil.

Criada em São Paulo, em 2007, a organização tem como público alvo, especialmente, os ciganos de etnia kalom. A proposta é garantir a implementação de políticas públicas que garanta a inclusão social. Combater a realidade de exclusão em todo País é o desafio. De acordo com a proponente, o Brasil é único país do Mundo que teve um Presidente da República cigano - Juscelino Kubitschek. Mesmo assim, não há políticas públicas e o povo cigano “acostumou-se” com a discriminação, descaso dos gadjes (não ciganos).

A Cerci trabalha em rede com outras entidades, como o CCB - Coletivo de Ciganos Calom do Brasil, a Apreci – Associação de Preservação da Cultura Cigana e a Abraci-PR - Associação Brasileira de Ciganos, ambas do Paraná, além da União Cigana do Brasil, do Rio de Janeiro, da Defensoria Pública e do Governo Federal.

Projeto

O projeto Mulher Cigana: Entre o Sonho e a Realidade pretende trabalhar com as mulheres ciganas nômades, de etnia kalom, moradoras em acampamentos das cidades de São Paulo, Itapevi, São Bernardo, Francisco Morato, São Roque, Itaim Paulista e Jundiaí. A mulher cigana, figura caracterizada como “charlatã, maltrapilha e trambiqueira”, ainda tem de lutar muitas vezes pela questão do reconhecimento da cidadania brasileira, já que sem comprovação de endereço não é possível ter acesso à emissão de documentos pessoais, como é o caso da etnia kalom e nômades em geral. Essa situação leva à exclusão do acesso à educação e, principalmente, ao Sistema Único de Saúde – SUS.

A ideia é oferecer capacitações para que elas possam enfrentar o sistema patriarcal a que são submetidas em decorrência da cultura cigana (a mulher ao casar-se pertence à família do marido e lhe deve obediência ainda que sustente o núcleo), a negação de seus direitos enquanto cidadãs e, sobretudo, o inadequado acesso imposto a elas, aos seus filhos e maridos aos serviços de saúde. O desafio será descortinar-lhes a realidade na qual estão inseridas e proporcionar-lhes um conjunto de capacidades e conhecimentos fundamentais para que possam enfrentar, sem medo, o preconceito e a discriminação a que são submetidas diariamente.

Responsável pelo projeto : Márcia Guelpa (Yáskara) – mguelpa@uol.com.br