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Grupo Transas do Corpo leva Circuito da Diversidade para escolas de Goiás

Com apoio do Fundo Brasil, projeto usa arte como ferramenta política entre estudantes

14 março 2017

- por Cristina Camargo -

 

Em um gesto lúdico e de acalento, as mães africanas rasgavam retalhos de suas saias e criavam bonecas para suas filhas e filhos nas doloridas viagens da África para o Brasil nos navios que transportavam escravos. Conhecidas como Bonecas Abayomi (encontro precioso, em Iorubá), essas bonecas transformaram-se em símbolo de resistência e amuleto de proteção.

A realização de oficina para confecção das bonecas da resistência é uma das atividades do Circuito da Diversidade na Escola, projeto realizado pelo Grupo Transas do Corpo, de Goiás, com apoio do Fundo Brasil.

Até o próximo sábado, dia 18, o Circuito da Diversidade chega ao Colégio Estadual Jardim América (Ceja), em Goiânia. Em parceria com o Ocupa Madalena, experiência cênica voltada para mulheres, o grupo realiza oficinas e mostras artísticas para o combate às opressões ao preconceito e às violências.

Além da oficina sobre as bonecas, a atividade terá contação de histórias, poesia falada, defesa pessoa feminina, rap consciente e uso da técnica do Teatro das Oprimidas e dos Oprimidos.

O Transas do Corpo atua para construir espaços de diálogos e trocas de experiências em escolas públicas entre jovens e adultos sobre os tipos de violência e os direitos humanos. Também realiza intervenções lúdicas, estéticas, coletivas e empoderadoras por meio de jogos e técnicas do Teatro do Oprimido. O objetivo é usar a arte como ferramenta política entre estudantes no combate à violência institucional, além de fortalecer as escolas públicas como instituições formativas para enfrentar a violência doméstica, racial e institucional.

O extermínio da população negra, a militarização e/ou terceirização das escolas estaduais, a retirada do ensino para a diversidade sexual e de gênero do plano de diretrizes educacionais e a propaganda misógina fazem do Estado de Goiás um cenário de avanço do conservadorismo.

Por outro lado, Goiânia, a capital, vive desde 2013 o fortalecimento de grupos de jovens secundaristas que ocupam escolas, protestam nas ruas e são violentamente reprimidos por meio de políticas institucionais autoritárias e discriminatórias.

“Dezenas de escolas foram ocupadas, trazendo à tona a voz dessa juventude insatisfeita com os rumos políticos e ávida pelo debate, pela expressão, pelo direito à organização e manifestação e por uma formação condizente com suas realidades”, afirma o Grupo Transas do Corpo.

Nesse cenário, o grupo trabalha para fortalecer a rede de estudantes secundaristas e também para construir novas estratégias de luta.

“A arte emerge como possibilidade, incluindo enfrentamento e subversão”, resume o grupo.

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Em dez anos de atuação, a fundação já destinou R$ 12 milhões a cerca de 300 projetos em todas as regiões do país. Além da doação de recursos, os projetos selecionados são apoiados por meio de atividades de formação e visitas de monitoramento que fortalecem as organizações de direitos humanos.

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